Textos e reportagens que sirvam de reflexão na educação, mostrando também a cultura e o entretedimento de Santarém-PA, sem deixar de destacar o acontecimento do momento.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
PREFEITA MARIA DO CARMO ASSINA ORDENS DE SERVIÇO PARA ÁREA EDUCACIONAL
12/01/2012 - PREFEITA ASSINA ORDENS DE SERVIÇO PARA A ÁREA EDUCACIONAL
A Prefeita de Santarém, Maria do Carmo; o Vice-Prefeito, José Antônio Rocha; a Secretária Municipal de Educação e Deporto, Lucineide Pinheiro; e o Presidente da Câmara de Santarém, José Maria Tapajós, participaram da cerimônia de assinatura de Ordens de Serviço para obras que serão executadas ainda este ano na área da educação.
Os documentos que autorizam o início dos trabalhos foram assinados pela Prefeita Maria do Carmo e pela titular da SEMED, Lucineide Pinheiro, juntamente com os representantes das construtoras vencedoras nos processos licitatórios.
“Essas obras significam mais geração de emprego e renda para o nosso município. Os materiais utilizados nas construções serão comprados aqui mesmo em Santarém. Também haverá a oferta de emprego e isso é um fator muito importante e positivo para a nossa economia. As construtoras, os comerciantes, os professores, os alunos, a população santarena... todos serão beneficiados com esses investimentos”, destacou a prefeita.
Mais de 24 milhões serão investidos nessas obras que foram anunciadas para presidentes de associações de moradores e entidades presentes ao evento realizado na manhã desta quinta-feira (12/01), no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Santarém.
As Ordens de Serviço foram assinadas para as seguintes obras:
Construção de Novas Escolas - Zona Urbana
- Construção da Escola de Arte;
- Bairros beneficiados com a construção de Novas escolas: Urumari, Interventoria, Maracanã, Novo Horizonte, Santo André, Pérola do Maicá.
Construção, Reforma e Ampliação de prédios e escolas de áreas existentes
- E.M.E.F. Nossa Senhora de Fátima (Bairro Laguinho);
- E.M.E.F. Professora Delfina de Jesus Amorim (Bairro Aeroporto Velho);
- E.M.E.F. Fluminense (Bairro Santa Clara);
- E.M.E.F. São José Operário (Bairro São José Operário);
- E.M.E.F. Professora Rosineide Fonseca Vieira (Bairro Diamantino);
- E.M.E.F. Professora Sofia Imbiriba (Bairro Liberdade);
- E.M.E.F. Princesa Izabel (Bairro Nova República);
- E.M.E.F. Frei Juvenal (Bairro Nova Vitória);
- E.M.E.F. Maria de Jesus Amorim (Bairro Mararu);
- E.M.E.F. Joaquim Cavalcante Maia (Bairro Santo André);
- E.M.E.F. Maestro Wilson Fonseca (Bairro São Cristóvão);
- E.M.E.F. Eloína Colares e Silva (Bairro Ipanema);
- E.M.E.F. Coronel Mário Fernandes Imbiriba (Bairro Interventoria);
- E.M.E.F. Professora Hilda Mota (Bairro Santíssimo);
- E.M.E.F. Ecila Nobre dos Santos (Bairro Conquista);
- E.M.E.F. Raimunda de Lira Maia (Bairro Elcione Barbalho);
- E.M.E.F. Paulo Rodrigues dos Santos (Bairro Floresta);
- E.M.E.F. Professora Nazaré Demétrio Mussi (Bairro Mararu);
- E.M.E.F. Brigadeiro Eduardo Gomes (Bairro Aeroporto Velho).
Construção de Quadras Cobertas
- E.M.E.F. Ester Ferreira (Bairro Vitória Régia);
- E.M.E.F. Professora Nazaré Demétrio Mussi (Bairro Mararu).
Construção de Muros
- E.M.E.F. Delano Riker Teles de Menezes (Bairro Elcione Barbalho);
- E.M.E.F. Professora Maria da Conceição Figueira (Bairro Jaderlândia);
- E.M.E.F. Francisca das Chagas Nascimento (Bairro Urumanduba).
Construção de Novas Escolas no Campo
- Escola de Tempo Integral do Campo (Eixo Forte);
- Comunidade Alter do Chão;
- Comunidade Jacamim;
- Comunidade Ponta de Pedras;
- Comunidade de Inanú (Lago Grande);
- Comunidade de Vila Gorete- Arapiuns;
- Comunidade de Parauá (Tapajós);
- Comunidade de Santa Luzia (Arapiuns);
- Comunidade de São Francisco - Lírios dos Vales (Ituqu)i;
- Comunidade Renascer (Palmas do Ituqui);
- Comunidade Nova Aliança (Ituqui);
- Comunidade Nova Canaã (Arapiuns);
- Comunidade de Murumurutuba (Quilombola) - Planalto;
- Comunidade de Tiningú (Quilombola )- Planalto;
- Mojuí dos Campos.
Construção, Reforma e Ampliação de Escolas do Campo
- E.M.E.F. Boaventura Queiroz (Comunidade São Braz);
- E.M.E.F. Maria do Rosário Barbosa - Comunidade Irurama (Eixo Forte).
Construção de Poços das Escolas do Campo
- Comunidade de Murumurutuba (Quilombola)- Planalto;
- Comunidade de Tiningú (Quilombola)- Planalto.
Galeria de Fotos
fonte: http://www.santarem.pa.gov.br/conteudo/?item=55&fa=1&cd=4637#
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Menino de 13 anos cursa três faculdades na Argentina
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Kouichi disse que aula não foi tão difícil Mundo - Aos 13 anos de idade, o argentino Kouichi Cruz é o aluno mais novo da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física (FAMAF) da Universidade de Córdoba.
Ele estudará ainda, simultaneamente, engenharia informática e ciências econômicas na mesma universidade.
Kouichi é filho único, mora com uma tia, Alejandra Perez, na cidade de Córdoba, e seus pais vivem na Espanha, onde trabalham. 'Kouichi está tendo a infância que quer ter. Ele é feliz assim, estudando', disse à BBC Brasil a tia Alejandra Perez.
Ela contou que no início, quando Kouichi era bebê, a família chegou a pensar que ele fosse 'autista'. Mas aos quatro anos de idade, os exames médicos indicaram que o menino tinha o QI mais alto que a média das crianças da sua idade.
'Kouichi sempre soube o que quis: estudar matemática, informática, engenharia. Para ele, são carreiras que se complementam', disse a tia.
A rotina do garoto é diferente do cotidiano dos meninos da sua idade, especialmente a partir deste ano, depois de ter passado nas provas para entrar na universidade.
'Ele estuda de manhã e também à tarde. E em casa, quando não está resolvendo problemas de matemática, gosta de assistir alguns programas de comédia na televisão', conta ela. Futebol ou outros esportes não fazem parte de sua agenda de interesses.
O menino nasceu na cidade de Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Seus pais se mudaram para a província de Jujuy, no norte do país, porque ali ele podia estudar mais adiantado que os colegas da sua idade, sem ter que respeitar um cronograma por faixa etária.
No primeiro dia de aula, nesta semana, o universitário disse ao jornal Clarín que as aulas foram mais fáceis do que imaginou. 'A aula não foi tão simples como no segundo grau, mas também não foi tão complicada como cheguei a imaginar', afirmou.
Kouichi, segundo a tia, é 'rápido' para resolver questões matemáticas, tímido no início de uma nova conversa, mas decidido em relação ao que quer ser quando crescer. 'Ele quer ser empresário e acha que estudar é fundamental para esta meta', disse a tia.
O reitor da FAMAF, Daniel Barraco, afirmou ao jornal argentino que é a primeira vez que um menino de 13 anos está entre os universitários dessa carreira. 'Sinto enorme emoção por ter aqui uma pessoa tão jovem e tão inteligente na faculdade. Mas sabemos que por ele ser tão jovem também aumenta nossa responsabilidade em relação a ele', disse Barraco.
Os pais de Kouichi - ela é farmacêutica; ele, anestesista - choraram ao deixar o menino com a tia materna. 'Mas, apesar das lágrimas, eles só estão respeitando a vontade do menino que há muito tempo sabia onde e que carreira universitária seguir. Eles só o deixem voar porque sabem o que ele quer', disse a tia.
Kouichi, contou, é assim chamado obedecendo a filosofia budista seguida pelos pais. 'Nos contaram que Kouichi quer dizer 'o primeiro' e 'brilhante' e o nome realmente foi feito pra ele' afirma.
Fonte: G1
Menino de 13 anos cursa três faculdades na Argentina
Família de Kouichi Cruz chegou a achar que garoto era autista, até que exame de QI revelou inteligência acima da média
Kouichi disse que aula não foi tão difícil Mundo - Aos 13 anos de idade, o argentino Kouichi Cruz é o aluno mais novo da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física (FAMAF) da Universidade de Córdoba.
Ele estudará ainda, simultaneamente, engenharia informática e ciências econômicas na mesma universidade.
Kouichi é filho único, mora com uma tia, Alejandra Perez, na cidade de Córdoba, e seus pais vivem na Espanha, onde trabalham. 'Kouichi está tendo a infância que quer ter. Ele é feliz assim, estudando', disse à BBC Brasil a tia Alejandra Perez.
Ela contou que no início, quando Kouichi era bebê, a família chegou a pensar que ele fosse 'autista'. Mas aos quatro anos de idade, os exames médicos indicaram que o menino tinha o QI mais alto que a média das crianças da sua idade.
'Kouichi sempre soube o que quis: estudar matemática, informática, engenharia. Para ele, são carreiras que se complementam', disse a tia.
A rotina do garoto é diferente do cotidiano dos meninos da sua idade, especialmente a partir deste ano, depois de ter passado nas provas para entrar na universidade.
'Ele estuda de manhã e também à tarde. E em casa, quando não está resolvendo problemas de matemática, gosta de assistir alguns programas de comédia na televisão', conta ela. Futebol ou outros esportes não fazem parte de sua agenda de interesses.
O menino nasceu na cidade de Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Seus pais se mudaram para a província de Jujuy, no norte do país, porque ali ele podia estudar mais adiantado que os colegas da sua idade, sem ter que respeitar um cronograma por faixa etária.
No primeiro dia de aula, nesta semana, o universitário disse ao jornal Clarín que as aulas foram mais fáceis do que imaginou. 'A aula não foi tão simples como no segundo grau, mas também não foi tão complicada como cheguei a imaginar', afirmou.
Kouichi, segundo a tia, é 'rápido' para resolver questões matemáticas, tímido no início de uma nova conversa, mas decidido em relação ao que quer ser quando crescer. 'Ele quer ser empresário e acha que estudar é fundamental para esta meta', disse a tia.
O reitor da FAMAF, Daniel Barraco, afirmou ao jornal argentino que é a primeira vez que um menino de 13 anos está entre os universitários dessa carreira. 'Sinto enorme emoção por ter aqui uma pessoa tão jovem e tão inteligente na faculdade. Mas sabemos que por ele ser tão jovem também aumenta nossa responsabilidade em relação a ele', disse Barraco.
Os pais de Kouichi - ela é farmacêutica; ele, anestesista - choraram ao deixar o menino com a tia materna. 'Mas, apesar das lágrimas, eles só estão respeitando a vontade do menino que há muito tempo sabia onde e que carreira universitária seguir. Eles só o deixem voar porque sabem o que ele quer', disse a tia.
Kouichi, contou, é assim chamado obedecendo a filosofia budista seguida pelos pais. 'Nos contaram que Kouichi quer dizer 'o primeiro' e 'brilhante' e o nome realmente foi feito pra ele' afirma.
Fonte: G1
Baixo salários, "bicos" e derrespeitos à profissão de professor
15/11/2011
Baixo salários, "bicos" e desrespeitos à profissão de professor
Por: Gerson Dourão
E-mail: GDOURAO@YAHOO.COM.BR - SINTEPP - BAIXO TOCANTINS
Recente
estudo de professores da Universidade de São Paulo - USP, com base na
Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad/IBGE-2009), revelou que
cerca de 10% dos/as docentes brasileiros/as da educação básica
complementam suas rendas com atividades desempenhadas fora do
magistério, sobretudo através de vendas de cosméticos.
Para quem vive o dia a dia das escolas públicas, os resultados da pesquisa surpreendem mais pelo baixo percentual de quem pratica outras ocupações do que em razão de os/as professores/as terem que complementar, de fato, os baixos salários a que estão submetidos na maior parte do país.
Outro dado relevante sobre a complementaridade da renda familiar da categoria do magistério pode ser extraído do Censo do Professor (MEC/INEP-2009). O estudo indica que, pelo menos, 1/3 (um terço) do professorado da educação básica pública desempenha dupla ou tripla jornada de trabalho na profissão. Ou seja: a renda é reforçada por meio do principal instrumento de trabalho, porém de forma que compromete a saúde do/a educador/a e a própria qualidade do ensino.
A recorrente economia de recursos do Estado, que concedeu ao magistério a possibilidade de possuir mais de um vínculo empregatício no setor público e que exime os gestores de investir na formação inicial e continuada e nas condições de trabalho da categoria, cada vez mais colide com a perspectiva de melhorar a qualidade da educação. Pior: ao invés de reverter essa realidade, as administrações públicas - paradoxalmente e com o apoio da parcela da mídia subserviente - investe na responsabilização dos/as educadores/as pela baixa qualidade dos sistemas de ensino, cuja gestão, em sua maioria, não permite a participação da comunidade escolar nos processos de formulação, aplicação e verificação das políticas públicas.
Por óbvio que os problemas inerentes à qualificação profissional do magistério não se restringem ao salário. Mas esse, conjugado com a expectativa de carreira e de valorização social da profissão, é o maior deles. Corroborando essa tese, o diagnóstico da meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da remuneração do magistério, revela que o/a professor/a com formação de nível médio (curso de magistério) detém renda média 38% acima dos demais trabalhadores brasileiros com escolaridade similar. Contudo, essa relação se inverte, na mesma proporção, quando o/a professor/a com formação de nível superior (maioria no Brasil) tem sua renda comparada com os demais trabalhadores de formação universitária. E isso é um fator de desestímulo à qualificação, ainda mais quando o próprio professor precisa arcar com o ônus financeiro de sua formação ou quando não dispõe de concessão de tempo pelos gestores para fazê-la adequadamente.
Para a CNTE, o piso nacional do magistério - vinculado à carreira - representa um primeiro passo na direção da equidade laboral dos/as educadores/as no país, condição fundamental para elevar a qualidade da educação com equidade. Mas muitos governadores e prefeitos - e, agora, até a justiça de um Estado, o Pará, em confronto com a decisão do Supremo Tribunal Federal - insistem em não observar a norma federal que também prevê jornada de trabalho para o/a professor/a com tempo dedicado às atividades extra-sala de aula (preparação e correção de atividades, reuniões pedagógicas e com os pais, formação no local de trabalho, dentre outras).
Outras questões afetas à qualidade da educação e que desestimulam o ingresso da juventude na profissão, ou que afastam, por doença ou desestímulo, os atuais professores das redes de ensino, consistem nas defasagens da formação inicial (sob responsabilidade majoritária de faculdades privadas, ou provida em cursos à distância), na falta de qualificação permanente ofertada pelo Estado, nas jornadas de trabalho incompatíveis com a profissão, nas deficientes formas de contratação no serviço público e nas precárias condições de trabalho e de vida oferecidas aos profissionais - em sua maioria mulheres, o que denota discriminação de gênero nesse setor de atividade profissional. E, sem que esses pontos sejam devidamente contornados, pouco se avançará na valorização do magistério e dos demais profissionais da educação e na melhoria da qualidade do ensino público.
Pubicado em: www.sintepp.org.br
Para quem vive o dia a dia das escolas públicas, os resultados da pesquisa surpreendem mais pelo baixo percentual de quem pratica outras ocupações do que em razão de os/as professores/as terem que complementar, de fato, os baixos salários a que estão submetidos na maior parte do país.
Outro dado relevante sobre a complementaridade da renda familiar da categoria do magistério pode ser extraído do Censo do Professor (MEC/INEP-2009). O estudo indica que, pelo menos, 1/3 (um terço) do professorado da educação básica pública desempenha dupla ou tripla jornada de trabalho na profissão. Ou seja: a renda é reforçada por meio do principal instrumento de trabalho, porém de forma que compromete a saúde do/a educador/a e a própria qualidade do ensino.
A recorrente economia de recursos do Estado, que concedeu ao magistério a possibilidade de possuir mais de um vínculo empregatício no setor público e que exime os gestores de investir na formação inicial e continuada e nas condições de trabalho da categoria, cada vez mais colide com a perspectiva de melhorar a qualidade da educação. Pior: ao invés de reverter essa realidade, as administrações públicas - paradoxalmente e com o apoio da parcela da mídia subserviente - investe na responsabilização dos/as educadores/as pela baixa qualidade dos sistemas de ensino, cuja gestão, em sua maioria, não permite a participação da comunidade escolar nos processos de formulação, aplicação e verificação das políticas públicas.
Por óbvio que os problemas inerentes à qualificação profissional do magistério não se restringem ao salário. Mas esse, conjugado com a expectativa de carreira e de valorização social da profissão, é o maior deles. Corroborando essa tese, o diagnóstico da meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da remuneração do magistério, revela que o/a professor/a com formação de nível médio (curso de magistério) detém renda média 38% acima dos demais trabalhadores brasileiros com escolaridade similar. Contudo, essa relação se inverte, na mesma proporção, quando o/a professor/a com formação de nível superior (maioria no Brasil) tem sua renda comparada com os demais trabalhadores de formação universitária. E isso é um fator de desestímulo à qualificação, ainda mais quando o próprio professor precisa arcar com o ônus financeiro de sua formação ou quando não dispõe de concessão de tempo pelos gestores para fazê-la adequadamente.
Para a CNTE, o piso nacional do magistério - vinculado à carreira - representa um primeiro passo na direção da equidade laboral dos/as educadores/as no país, condição fundamental para elevar a qualidade da educação com equidade. Mas muitos governadores e prefeitos - e, agora, até a justiça de um Estado, o Pará, em confronto com a decisão do Supremo Tribunal Federal - insistem em não observar a norma federal que também prevê jornada de trabalho para o/a professor/a com tempo dedicado às atividades extra-sala de aula (preparação e correção de atividades, reuniões pedagógicas e com os pais, formação no local de trabalho, dentre outras).
Outras questões afetas à qualidade da educação e que desestimulam o ingresso da juventude na profissão, ou que afastam, por doença ou desestímulo, os atuais professores das redes de ensino, consistem nas defasagens da formação inicial (sob responsabilidade majoritária de faculdades privadas, ou provida em cursos à distância), na falta de qualificação permanente ofertada pelo Estado, nas jornadas de trabalho incompatíveis com a profissão, nas deficientes formas de contratação no serviço público e nas precárias condições de trabalho e de vida oferecidas aos profissionais - em sua maioria mulheres, o que denota discriminação de gênero nesse setor de atividade profissional. E, sem que esses pontos sejam devidamente contornados, pouco se avançará na valorização do magistério e dos demais profissionais da educação e na melhoria da qualidade do ensino público.
Pubicado em: www.sintepp.org.br
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
ParanáVoltar Pedro Demo aborda os desafios da linguagem no século XXI
Notícias - ParanáVoltar
Pedro Demo aborda os desafios da linguagem no século XXI
Segunda-feira, 07 de Julho de 2008 - 17 comentário(s) - 2002 Visualizações
Pedro
Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de
Brasília (UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken,
Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles
(UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação.
No mês passado esteve em Curitiba para uma palestra promovida pela
Faculdade Opet, e conversou com o Nota 10.
O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”.
A linguagem do século XXI envolve apenas a internet?
Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos?
Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal.
Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg?
Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível).
Qual a sua opinião sobre o internetês?
Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto.
O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido?
Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável.
Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento?
É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.
O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”.
A linguagem do século XXI envolve apenas a internet?
Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos?
Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal.
Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg?
Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível).
Qual a sua opinião sobre o internetês?
Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto.
O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido?
Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável.
Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento?
É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.
Segunda-feira, 07 de Julho de 2008 - 17 comentário(s) - 2002 Visualizações
Pedro
Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de
Brasília (UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken,
Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles
(UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação.
No mês passado esteve em Curitiba para uma palestra promovida pela
Faculdade Opet, e conversou com o Nota 10.
O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”.
A linguagem do século XXI envolve apenas a internet?
Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos?
Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal.
Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg?
Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível).
Qual a sua opinião sobre o internetês?
Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto.
O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido?
Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável.
Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento?
É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.
O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem?
A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”.
A linguagem do século XXI envolve apenas a internet?
Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar.
Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos?
Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal.
Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg?
Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível).
Qual a sua opinião sobre o internetês?
Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto.
O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido?
Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável.
Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento?
É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.
sábado, 12 de novembro de 2011
CARTILHA SOBRE O DIREITO DE GREVE DO SERVIDOR PÚBLICO
CARTILHA SOBRE O DIREITO DE GREVE DO SERVIDOR PÚBLICO
1 – É legal o servidor público fazer greve?
O texto
original do inciso VII do artigo 37 da Constituição Federal de 1988 assegurou o
exercício do direito de greve pelos servidores públicos civis, a ser regulamentado
através de lei complementar; como tal lei nunca foi elaborada, o entendimento
inicial - inclusive do STF – foi o de que o direito de greve dos servidores
dependia de regulamentação.
Nesse sentido,
e ainda na vigência dessa redação original do texto constitucional, existiram
diversas decisões judiciais que, decidindo questões relativas às conseqüências
de movimentos grevistas, reconheceram que os servidores poderiam exercer o
direito de greve, do que são exemplo as seguintes:
- Decisão
proferida pelo Superior Tribunal de Justiça diz que enquanto não vierem as
limitações impostas por lei, o servidor público poderá exercer seu direito. Não
ficando, portanto, jungido ao advento da lei (STF, Mandado de segurança 2834-3
– SC, Rel. Min. Adhemar Maciel, 6ª. Turma, FONTE; Revista Síntese Trabalhista,
v. 53, novembro de 93). Posteriormente, através da Emenda Constitucional nº 19,
o referido inciso VII do artigo 37 da Constituição Federal foi alterado,
passando a exigir somente “lei específica” para a regulamentação do direito de
greve; essa lei, embora específica, será ordinária, e não mais complementar.
Ora, lei
ordinária específica sobre direito de greve existe desde 1989 (a Lei nº
7.783/89), a qual estabelece critérios regulamentares do movimento paredista;
como essa lei trata do direito de greve de forma ampla, fala trabalhadores em
geral, não restringindo sua abrangência aos trabalhadores da iniciativa privada
– o entendimento tecnicamente correto é o de que foi recepcionada pelo novo
texto constitucional, tornando-se aplicável também a todos os servidores
públicos. Por outro lado, mesmo que se entenda que a Lei no 7.783/89 seja norma
dirigida apenas aos empregados da iniciativa privada e, em face da inexistência
de norma específica para servidor público, ela pode ser aplicada por analogia,
na forma prevista em lei.
2 - O servidor em estágio probatório pode fazer greve?
No tocante aos
servidores em estágio probatório, embora estes não sejam efetivados no serviço
público e no cargo que ocupam, têm assegurado todos os direitos previstos aos
demais servidores. Portanto, devem todos, sem exceção, exercer seu direito a
greve.
Necessário
salientar, neste aspecto, que o estágio probatório é o meio adotado pela
Administração Pública para avaliar (o desempenho) aptidão do concursado para o
serviço público. Tal avaliação é medida por critérios lógicos e precisos após
três anos de investidura no cargo. A participação em movimento grevista não
configura falta de habilitação para a função pública, não podendo o estagiário
ser penalizado pelo exercício de um direito seu.
Na greve
ocorrida no ano de 1995, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul,
houve a tentativa de exoneração de servidores em estágio probatório que
participaram do movimento grevista, sendo, no entanto, estas exonerações
anuladas pelo próprio Tribunal Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, que
afirmou, na ocasião, haver “licitude na adesão do servidor civil, mesmo em
estágio probatório”, concluindo que o “estagiário que não teve a avaliação de
seu trabalho prejudicada pela paralisação” (TJ/RS Mandado de segurança nº
595128281)
3 - O servidor pode ser punido por ter participado da greve?
O servidor não
pode ser punido pela simples participação na greve, até porque para o próprio
Supremo Tribunal Federal que a simples adesão a greve não constitui falta grave
(Súmula nº 316 do STF). Podem ser punidos, entretanto, os abusos e excessos
decorrentes do exercício do direito de greve Por isto, o movimento grevista
deve organizar-se a fim de evitar tais abusos, assegurando, em virtude da
natureza do serviço prestado pela Justiça Federal, a execução dos serviços
essenciais e urgentes (quando necessário).
4 - Podem ser descontados os dias parados? E se podem, a que título?
A rigor, sempre
existe o risco de que uma determinada autoridade, insensível à justiça das
reivindicações dos servidores e numa atitude nitidamente repressiva, determine
o desconto dos dias parados; no geral, quando ocorrem, tais descontos são
feitos a título de “faltas injustificadas” Entretanto, conforme demonstram as
decisões anteriormente transcritas existem posições nos tribunais pátrios
inclusive do Supremo Tribunal Federal no sentido de que não podem ser feitos
tais descontos e muito menos a titulo de “faltas injustificadas” - o que efetivamente
não são.
5 - Como deve ser feito o registro da freqüência nos dias parados?
O Sindicato
deverá providenciar num “Ponto Paralelo” que será assinado e preenchido
diariamente pelos grevistas, e que servirá para demonstrar, se necessário, e em
futuro processo Judicial, que as faltas não foram injustificadas, no sentido
previsto na lei.
6 - Qual a diferença entre uma greve e uma paralisação de 48 horas?
Greve no
sentido jurídico significa a suspensão da prestação pessoal de serviços. A
suspensão do trabalho que configura a greve é a coletiva, não havendo como
caracterizar-se como greve a paralisação individual (NASCIMENTO Amauri Mascaro.
Comentários
à Lei de Greve. São Paulo, LTR, 1989,44/45)
A greve,
entretanto, pode ser por tempo indeterminado, ou por tempo determinado.
Comumente se denomina greve a paralisação por tempo indeterminado e paralisação
a greve por tempo determinado. Assim sendo, a paralisação por 48 horas nada
mais do que uma greve por tempo determinado, e como tal deverá ser tratada, inclusive
do ponto de vista legal.
7 - Quais as precauções que devem ser tomadas quando da deflagração de uma greve?
a) Convocar
assembléia-geral da categoria (não apenas dos associados) mediante a
observância dos critérios definidos no Estatuto do sindicato e com divulgação
do Edital com antecedência razoável (72 horas, como sugestão) em jornal de
grande circulação regional;
b) Em
assembléia, votar a pauta de reivindicações e deliberando sobre a paralisação
coletiva, de preferência desdobrando a pauta em exigências de nível nacional e
local;
c) Comunicar a
decisão da assembléia; (a) ao tomador dos serviços e (b) aos usuários do
serviço (mediante edital publicado em jornal de grande circulação), com
antecedência mínima de 72 (setenta e duas horas);
d) Durante a
greve, buscar sempre que possível a negociação para o atendimento das
reivindicações, documentando-a ao máximo;
e) Manter até o
final da greve um “ponto paralelo”, para registro pelos servidores grevistas, o
qual poderá ser instrumento útil para discutir eventual desconto dos dias
parados.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
O PSPN é o Vencimento Base: alguns efeitos no Pará.
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O PSPN é o Vencimento Base: alguns efeitos no Pará.
*Antonio Carlos Barros
Este texto objetiva identificar os problemas da aplicação do Piso Salarial no Pará na relação com o PCCR. Foi extraído das primeiras discussões da categoria da educação e da insistência do governo estadual de manter uma política recuada de investimento na valorização da carreira do magistério estadual que este texto critica e propõe um debate no processo de mobilização para uma luta em defesa do cumprimento da lei.
Fragmentos
“...do Acórdão publicado em 24/0811 da ADI 4167 (piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da educação básica pelo STF.
1. Perda parcial do objeto desta ação direta de inconstitucionalidade, na medida em que o cronograma de aplicação escalonada do piso de vencimento dos professores da educação básica se exauriu (arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008). 2. É constitucional a norma geral federal que fixou o piso salarial dos professores do ensino médio com base no vencimento, e não na remuneração global. Competência da União para dispor sobre normas gerais relativas ao piso de vencimento dos professores da educação básica, de modo a utilizá-lo como mecanismo de fomento ao sistema educacional e de valorização profissional, e não apenas como instrumento de proteção mínima ao trabalhador”...Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. Perda de objeto declarada em relação aos arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008. STF. ADI 4167. Relator Ministro Joaquim Barbosa. Divulgação: DJe de 23.08.2011, pág 27.”
1- A legalidade do Piso ajuda a luta pela sua efetivação no Estado do Pará.
O Piso Salarial Profissional
Nacional PSPN – instituído pela lei 11.738/2008 que regulamenta sua
aplicação é concebida como política de Estado e de investimento na
valorização da carreira dos profissionais da educação pública,
felizmente, assim definida pelo Superior Tribunal Federal–STF face à
recente publicação em acórdão deste superior tribunal no dia 24 de
agosto do corrente ano. Pela presente decisão, são constitucionais os
dispositivos da Lei 11.738/08 que fixam o piso salarial com base no
vencimento, e não na remuneração global dos professores. Isto se deu por
maioria de votos dos ministros que entenderam que a União tem
competência para dispor sobre normas gerais relativas ao piso de
vencimentos dos professores da educação básica “como forma de utilizá-lo
como mecanismo de fomento ao sistema educacional e de valorização
profissional, e não apenas como instrumento de proteção mínima ao
trabalhador. O que requer cuidado na aplicação do Piso Salarial nos
entes federados.
O Piso Salarial nacional a ser
garantido ao magistério público é o valor fixado em 2011 pelo MEC em R$
1.187,97 para 40 horas semanais ou 200h mensais para professores com
formação em nível médio, abaixo do qual, a União, os Estados os
municípios e o Distrito Federal não poderão praticar vencimento base das
carreiras do magistério público, observado o proporcionalmente,
aplicados aos níveis do ensino superior e às demais cargas horárias
existentes como, 100h e 150h, mensais, sendo este valor fixado pelo MEC
contínuo, atualizado a cada ano como prevê a lei lei 11.738/08,
estabelece que:
“Art. 5º. O piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica será atualizado, anualmente, no mês de janeiro, a partir do ano de 2009.
Parágrafo único. A atualização de que trata o caput deste artigo será calculada utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007.”
O aspecto legal da política do Piso , fruto das conquistas dos trabalhadores em educação em todo o país, coloca-se como um elemento favorável à luta pela sua efetivação no Estado do Pará e um forte argumento utilizado pelo movimento de pressão do SINTEPP de tal modo a expor alguns representantes do poder legislativo que por ventura venham a reforçar a decisão do governo do Estado de barrar a histórica conquista da valorização dos salários
2 - Breve histórico da luta pelo Piso e Carreira do Magistério
A luta pelo piso salarial teve
inicio com o movimento nacional dos educadores na década de 1980 em
defesa da escola pública de qualidade social, então este feito histórico
da educação brasileira por salários dignos foi inscrito na C.F/88 para
em seguida receber regulamentação – o que lhe faltou ao longo de duas
décadas.
No roteiro das lutas pela
garantia da regulamentação e aplicação do Piso, é relevante citar as
investidas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – A
CNTE, desde a década de 1980 quando foi Confederação dos Professores do
Brasil- CPB. Esta entidade sindical teve um papel preponderante na
conquista pelo valor do Piso Salarial, incidido no vencimento base que é
parte inicial da cesta de remuneração dos profissionais da educação.A
Confederação realizou uma luta pela defesa do piso,fez estender as sua
afiliada em todo o pais e incentivou diversas ações no campo
institucional para obter os resultados anunciados.
O valor de R$1.187,97 a ser
aplicado ao vencimento vale para todo o pais, em 26 estados e o D.F e
nos cerca de 5.564 sistemas municipais de ensino que passarão a partir
da decisão do Supremo ajustarem-se à regra desta modalidade de PISO e
fazer constar em cada plano da carreira do magistério dos diversos entes
federados, a variação disciplinada dos valores entre o vencimento do
professor com formação médio normal que atua de 1ª a 4ª séries. Sofre a
variação para aqueles com formação superior, evoluindo para os de
formação continuada,ou seja é o caráter do fomento da carreira como
chamou atenção o STF , está, necessariamente, ligado ao que disciplinar
o PCCR do magistério no caso do Pará que estabelece nos seu quadros
esta possibilidade da progressão salarial entre a base até o topo da
carreira.
No caso do cumprimento do Piso,
este para se para se efetivar nos contracheques do magistério
estadual deve ser aplicado na sua totalidade , ou seja, no mínimo R$
1.187,97, na primeira classe do PCCR do Pará .e para tanto deverá
receber a complementação de recursos financeiros da União como prevê a
lei do FUNDEB- Fundo Nacional da Educação Básica para garantir a
aplicação da lei do PISO.Tal complementação prevista dependerá da
solicitação do governo do Estado e se comprovada esta necessidade.
Politicamente também, dependerá do poder de articulação do governador
junto ao governo Federal nesta área financeira, o governo federal já
anunciou que existe esta possibilidade de complementação coisa que está
regulamentada na lei do atual fundo da educação..
Pelo que dispõe a política de
fundos no Brasil, centralizadora dos recursos na União, face à
redistribuição dos resultados dos impostos arrecadados, os Estados e
municípios podem pedir ao Ministério da Educação uma verba complementar
para estender o piso nacional a todos os profissionais da educação. Para
conseguir o dinheiro, é preciso comprovar que aplica 25% da arrecadação
em educação, como prevê a Constituição Federal. Neste cenário, o MEC
informa que tem R$ 1 bilhão disponíveis para este fim, mas, sabemos que
desde que a lei foi criada, poucas prefeituras que solicitaram a
complementação de recursos cumpriram as exigências necessárias para
receber o dinheiro. Nesta linha, a CNTE garante que 17 estados não pagam
ao magistério o valor mínimo estabelecido em lei, dentre os entes
federados, o Estado do Pará se coloca. Não há levantamento sistemático
sobre o cumprimento da lei nas redes municipais do Pará.
No Pará a então FEPEP,
federação paraense dos professores públicos do Pará, entidade
classista, de cunho sindical,desde de 1983, assim, forjada sua
existência, antecipada ao que constou na CF/88, desde lá organizou a
luta pela carreira e pelo piso salarial nacional - o que significou
praticar a organização em defesa dos servidores públicos da educação,
para neste instante, percebemos o quanto foi importante este momento de
criação da organização sindical para o acúmulo das vitórias no Pará,como
o Estatuto do Magistério como a instituição da carreira dos
trabalhadores em educação , e agora, vimos a possibilidade real de
constar nos contracheques dos educadores (a) o mínimo equivalente aos
R$1.187,97 como prevê a lei do piso, ora em vez dos R$1.096,44, (200h)
constantes no vencimento base do contracheques até o mês de agosto do
ano de 2011. Saltos na historia que requer evitar retrocessos.
3 - Efeitos da Decisão e Publicação da Efetivação do Piso e do PCCR no Pará
A decisão do governo Jatene de
publicar a aplicação de uma parte do valor do Piso Salarial Nacional
não contempla a luta histórica em defesa aplicação do PSPN que
remonta ao período da mobilização dos educadores dede 1983 quando a
FEPEP, hoje, SINTEPP- entidade de classe representativa dos
trabalhadores em educação entrou na briga pela valorização da carreira
do magistério público e que insistirá na defesa da integralidade do
Piso Salarial e sua relação com a lei do PCCR do magistério público.
Os números baixo revelam um
instante da prática de governo com aplicação de retrocessos e outra
possibilidade de conquista pela integralidade da aplicação do valor do
Piso, ajustado ao PCCR.
O que publicou o governo Jatene
no dia 15/09/11, considerando o valor do Piso para as classes dos
professores e especialistas com 200 horas, conforme no PCCR foi
aplicação de apenas 30% do resultado entre o que deveria cumprir do
valor do Piso nacional – R$ 1.187,97 e o que paga até agosto de 2011, R$
1.096,00., ou seja – 1/3 de R$90,53, cerca de R$28,00, tomando como
base a situação inicial dos professores com 200 horas mensais assim
ficou a definição do governo que consideramos um retrocesso:
Decisão do Governo (interstício de 0,5 % em cada classe)
A classe especial de
professores- R$ 1.121,34 ( formação médio normal); Classe I- 1.126,83
(superior); Classe II- 1.143,13 (especialização) ;Classe
III-1.160,89(mestrado e Classe IV-1178,30(doutorado).
Com a variação ajustada ao PCCR com Interstício de 1,5% :
Com a variação ajustada ao PCCR com Interstício de 1,5% :
Classe especial-R$ 1.121,34;Classe I- 1.138,16; Classe II- 1.155,23; Classe III-1172,56;e Classe IV-1190,15.
Se o governo aplicasse certo o valor do Piso Nacional de R$ 1187,97 no ajuste do PCCR seria assim:
Classe especial-R$ 1.187,97; Classe I- 1205,78; Classe II-1.223,30;
Classe III- 1.242,23; Classe IV-1.260,86
( dados do SINTEPP,setembro de 2011)
Se o governo aplicasse certo o valor do Piso Nacional de R$ 1187,97 no ajuste do PCCR seria assim:
Classe especial-R$ 1.187,97; Classe I- 1205,78; Classe II-1.223,30;
Classe III- 1.242,23; Classe IV-1.260,86
( dados do SINTEPP,setembro de 2011)
Ainda sobre esses valores que
são o vencimento base incidirem as diversas vantagens fixas, são estas
atais na SEDUC: Aulas Suplementares; Gratificação de Titularidade;
Gratificação de Magistério; Gratificação de Escolaridade; Adicional de
Tempo de Serviço - constam como conquistas históricas sem precedentes na
defesa da carreira do magistério, sendo estas vantagens consagradas
por estarem estabelecidas no Estatuto do Magistério de 1987 e
consolidaram- se em grande medida, como ponto forte da carreira do
magistério da rede pública estadual de ensino – reforçamos, são estas
vantagens resultantes da admirável luta da Federação dos Profissionais
da Educação Pública que teve o deputado Edmilson, a honra de ser um dos
protagonistas da luta em defesa dos salários dignos e vínculos à
carreira dos trabalhadores em educação Pública, visando a melhoria da
qualidade ao ensino.
Na atual rede estadual de
ensino vale dizer que a aplicação do Piso Salarial confunde-se com a
luta pela efetivação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da
Educação Básica do Pará, lei nº7442/10, criada para valorizar a
carreira do Magistério, ambas estão em processo de discussão entre
governo e sindicato para serem aplicadas. Esperamos que sejam
fiscalizada pela ALEPA, passo a passo por se tratarem de leis:
transitada no parlamento estadual,- PCCR e o PISO SALARIAL passado no
crivo do Superior Tribunal para ser de fato aplicado pelo poder
executivo estadual que promoverá a disciplina dos ajustes. Chamamos
atenção em especial por serem de ordem financeira com o cuidado para
não colidirem com o que já está consagrado nas conquistas dos
trabalhadores em educação no que consta no Estatuto do Magistério como
são as vantagens fixas que não podem se ajustar a menor, se as
adequações pretendidas pelo governo do Estado assim entenderem - o que
esperamos que não aconteça , pois o estatuto do magistério é peça
complementar ao PCCR. Ou será que perdas poderão ocorrer?
Na relação com o SINTEPP, o
atual governo do Pará prometeu incentivar com investimentos a carreira
do magistério- aplicar o PCCR até final de outubro de 2011. Disse
aplicar o valor do PISO/ VENCIMENTO BASE logo que o acórdão contendo o
entendimento do Supremo fosse publicado, este aconteceu, é realidade,
mas, como se posicionará o governo do Estado frente à decisão histórica
do STF?
O governo prometeu executar o
Piso no Pará e disse necessitar de investimentos financeiros na ordem
de R$12 milhões mensais (informação do SINTEPP) para seu cumprimento no
magistério estadual . Diga-se de passagem, valor a ser agregado na folha
do mês de setembro do ano corrente para atender à justeza da definição
do Supremo e à promessa que fez. Ainda, fora desta conta, cabem valores
de retroatividade da aplicação do Piso relativo a 2010, ano que deveria
ter sido aplicado na modalidade atual , interceptada por uma ADIN do
STF, aquele momento. A retroatividade a alcançar é decisão mais recente
do sindicato.
A Aplicação o piso salarial aos
profissionais da educação da rede estadual de ensino está cercada de
algumas preocupações no âmbito da carreira do magistério como?
O PCCR a ser efetivado
aglutinou a modalidade das vantagens fixas incidirem sobre o vencimento
base do magistério estadual, gerando um efeito cascata para a
composição da remuneração, ou seja, as vantagens fixas: Aulas
Suplementares; Gratificação de Titularidade; Gratificação de Magistério;
Gratificação de Escolaridade; Adicional de Tempo de Serviço incidem na
forma evolutiva para compor a remuneração do magistério – a nosso ver
este principio foi contemplado pela decisão atual do STF como:”o
mecanismo de fomento ao sistema educacional e de valorização
profissional, e não apenas como instrumento de proteção mínima ao
trabalhado”. Nossa preocupação na esfera estadual é que o governo
proponha alteração neste mecanismo, fruto de conquista histórica dos
trabalhadores da educação, pois há fatos que indicam isto, na gestão
Almir Gabriel (1998) o mecanismo de redução das vantagens da
gratificação de ensino superior de 80% foi indicada para 50% , ensaiada
na súmula vinculante deste governo do PSDB que também retirou as
vantagens da progressão funcional horizontal do magistério que
prevaleceu até hoje.
Outras vantagens salariais do
contracheque são flexíveis como:Abono GEP (para quem atua no ensino
médio); abono FUNDEB ;auxilio alimentação; auxilio transporte – estas
não incidem sobre o vencimento base – compõem a remuneração e por isso
não seria aceita suas mexidas a menor.
APLICAÇÃO DO PISO NOS MUNICÍPIOS
Os
Sistemas municipais de ensino – a maioria dos 143 entes federados do
Pará - terão que pagar o Piso como vencimento base. Consta, a se
precisar melhor os dados, que a maioria do municípios não cumpre o
pagamento do PISO quando se trata da sua incidência no vencimento,
recentemente definido, ou seja, desvinculado das vantagens da
remuneração. É o caso do município de Bagre onde o vencimento base do
professor em 200h equivale a R$1.144,00. (SINTEPP). Este exemplo reforça
que de imediato, os ajustes deverão ser feitos. Para tanto deverão
passar pela efetiva aplicação do Plano de carreira municipal a fim de
que sejam bem definidos o que é vantagem das remunerações, é o que é
vencimento, pois antes da decisão final do STF muitas prefeituras já
operavam no sentido de reunir remuneração para garantir o valor do
Piso Nacional isto somado ao que tem sido sentido neste Estado,
municípios com precária autonomia financeira, atuando com as apenas
transferências da União, somado ao avassalador processo de
municipalização do ensino , e o Estado se retirando da sua obrigação
constitucional de colaborador da garantia do ensino nos diversos
sistemas, o que exigirá neste aspecto, tamanha luta pelo controle e
fiscalização do cumprimento do Piso e da carreira nestes municípios.
Finalmente, a Valorização da Carreira do Magistério sob Olhar dos Deputados
Finalmente, a Valorização da Carreira do Magistério sob Olhar dos Deputados
E o Plano de Carreira dos
profissionais da educação, instituído pela lei e prometida seu
cumprimento pelo governo estadual o mês de outubro do ano corrente ,
coloca-se como outro desfio para a gestão do atual governo e ao mesmo
tempo para a luta de reivindicação do SINTEPP que aceitou esperar a
efetiva da lei até o mês prometido. O governo alega que gastará R$6
milhões ao mês na folha de pagamento com o PCCR (informação do SINTEPP),
que somados aos valores do PISO, contabilizam R$18milhoes ao mês,
valores que terão a colaboração do governo federal e a desafiadora
expectativa dos trabalhadores em educação que se preparam para ver estas
promessas cumpridas sob o olhar dos deputados que discutiram e
aprovaram a lei.
Sabemos que os ajustes em terno
da aplicação do Piso no Pará requer um amontoado contábil a ser bem
definido no PCCR, por isso, este deve ser imediatamente ser efetivado a
fim de responder : quanto será o piso do professor do ensino superior?e
dos que têm a formação continuada? Como serão garantidas as vantagens
da progressão funcional e tratada a avaliação de desempenho do servidor
da educação que por seu desempenho estarão refletidos ganhos do salário
ou seu congelamento, dentre outras situações que o poder legislativo
haverá de se preocupar neste cenário de cumprimento da legislação da
educação pública.
O certo é que o SINTEPP frente
ao que acredita ser um descumprimento do governo Jatene ao que está
definido na lei do Piso e consequentemente com reflexos negativos na
efetivação do PCCR, (versão Jatene), este sindicato está organizando um
movimento paredista com o fim de fazer valer o que honraram
historicamente, as reivindicações pela garantia de salários e carreira
dignas.
Portanto, a aplicação do Piso
Salarial, ligada ao necessário cumprimento do PCCR são políticas de
valorização do magistério que não poderão passar despercebidas, diante
do papel do poder legislativo estadual e do executivo no cenário de
intenso conflito de interesses públicos, inclusive pela educação de
qualidade como expressam a reivindicações dos trabalhadores em educação,
desta vez mais protegidas pela CF/88, regulamentada pela lei do PISO
SALARIAL, ratificada pela decisão STF.
*Antonio
Carlos Barros é professor da SEDUC ex coordenador geral do SINTEPP e
mestre em educação - políticas públicas educacionais Fonte: www.sintepp.org.br
domingo, 25 de setembro de 2011
Funcionários de escola são profissionais da educação
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Funcionários de escola são profissionais da educação
*Por Francisco das Chagas Fernandes
A
aprovação pelo Senado Federal e a conseqüente sanção da Lei nº 12.014,
de 6 de agosto de 2009, de autoria da Senadora Fátima Cleide, não é
apenas uma simples mudança na LDB. Com ela, amplia-se e atualiza-se o
conceito de Profissionais da Educação.
Na realidade, a Lei consagra uma política que vinha sendo implementada desde 2004, quando teve inicio a discussão da valorização dos profissionais da educação, e cujo parâmetro era o FUNDEB, mais especificamente, a proposta de que pelo menos 80% dos recursos desse fundo fossem investidos nas folhas de pagamento dos Professores e Funcionários. Essa política incluía também o início da profissionalização dos funcionários, por meio do PROFUNCIONÁRIO.
Naquele ano, 2004, iniciamos na Secretaria de Educação Básica do MEC, uma ação em três frentes, em relação à formação dos mais de um milhão de funcionários da educação básica: 1ª - aprovar o PL, já em tramitação no Congresso; 2ª - criar, por Resolução da Câmara de Educação Básica do CNE, a 21ª área na formação profissional de nível médio; e 3ª - instituir um programa de profissionalização, com formação em serviço, na modalidade a distância.
A situação dos funcionários de escola não é muito diferente da dos professores. Principalmente quando o foco é sua valorização salarial, profissional e social.
Falta funcionários; não há uma política de formação inicial e continuada; e a situação salarial é mais complicada, pois, em sua grande maioria, eles não têm plano de carreira.
Claro que a mudança no conceito vem acontecendo desde quando os funcionários começaram a se organizar em suas entidades, e principalmente a partir de 1989, quando assumiram com os professores, orientadores e supervisores, a luta pela unificação da categoria de trabalhadores em educação, o que resultou na criação da CNTE.
Unificados nos sindicatos de base e em nível nacional, os funcionários se fortaleceram e suas conquistas avançaram em muitos municípios e estados, em alguns casos, inclusive, com Planos de Carreiras unificados.
A criação da 21ª Área de Formação Profissional pelo CNE deu consistência ao MEC para criar e consolidar o conceito de que os funcionários de escola também são trabalhadores em educação e, uma vez habilitados, podem se transformar em profissionais da educação.
Para atender a essa nova demanda, criamos o Programa – Profuncionário - Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação. Ou seja, fizemos com que acontecesse na prática a formação profissional em nível médio.
Os quatro cursos de formação profissional – técnico em alimentação escolar, em multimeios didáticos, em gestão escolar e em meio ambiente e infraestrutura escolar - e mais outros que devem ser criados colaboram, dentro da escola, com a melhoria na qualidade da educação.
Portanto, com a Lei nº 12.014, completa-se o conceito e valorizam-se as Políticas para os profissionais em educação: FUNDEB, Piso Salarial, Diretrizes Nacionais de Carreira, Sistema Nacional de Formação dos Professores, Profuncionário e Área 21.
O Estado está fazendo a sua parte. Cumpre agora que os funcionários de escola assumam sua formação para que sejam também profissionais da educação de direito e de fato.
Na realidade, a Lei consagra uma política que vinha sendo implementada desde 2004, quando teve inicio a discussão da valorização dos profissionais da educação, e cujo parâmetro era o FUNDEB, mais especificamente, a proposta de que pelo menos 80% dos recursos desse fundo fossem investidos nas folhas de pagamento dos Professores e Funcionários. Essa política incluía também o início da profissionalização dos funcionários, por meio do PROFUNCIONÁRIO.
Naquele ano, 2004, iniciamos na Secretaria de Educação Básica do MEC, uma ação em três frentes, em relação à formação dos mais de um milhão de funcionários da educação básica: 1ª - aprovar o PL, já em tramitação no Congresso; 2ª - criar, por Resolução da Câmara de Educação Básica do CNE, a 21ª área na formação profissional de nível médio; e 3ª - instituir um programa de profissionalização, com formação em serviço, na modalidade a distância.
A situação dos funcionários de escola não é muito diferente da dos professores. Principalmente quando o foco é sua valorização salarial, profissional e social.
Falta funcionários; não há uma política de formação inicial e continuada; e a situação salarial é mais complicada, pois, em sua grande maioria, eles não têm plano de carreira.
Claro que a mudança no conceito vem acontecendo desde quando os funcionários começaram a se organizar em suas entidades, e principalmente a partir de 1989, quando assumiram com os professores, orientadores e supervisores, a luta pela unificação da categoria de trabalhadores em educação, o que resultou na criação da CNTE.
Unificados nos sindicatos de base e em nível nacional, os funcionários se fortaleceram e suas conquistas avançaram em muitos municípios e estados, em alguns casos, inclusive, com Planos de Carreiras unificados.
A criação da 21ª Área de Formação Profissional pelo CNE deu consistência ao MEC para criar e consolidar o conceito de que os funcionários de escola também são trabalhadores em educação e, uma vez habilitados, podem se transformar em profissionais da educação.
Para atender a essa nova demanda, criamos o Programa – Profuncionário - Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação. Ou seja, fizemos com que acontecesse na prática a formação profissional em nível médio.
Os quatro cursos de formação profissional – técnico em alimentação escolar, em multimeios didáticos, em gestão escolar e em meio ambiente e infraestrutura escolar - e mais outros que devem ser criados colaboram, dentro da escola, com a melhoria na qualidade da educação.
Portanto, com a Lei nº 12.014, completa-se o conceito e valorizam-se as Políticas para os profissionais em educação: FUNDEB, Piso Salarial, Diretrizes Nacionais de Carreira, Sistema Nacional de Formação dos Professores, Profuncionário e Área 21.
O Estado está fazendo a sua parte. Cumpre agora que os funcionários de escola assumam sua formação para que sejam também profissionais da educação de direito e de fato.
*Francisco das Chagas Fernandes é professor da rede estadual do RN, Ex-Secretário de Educação Básica do MEC e atual Secretário Executivo Adjunto.
Fonte: CNTE
Fonte: www.sintepp.org.br
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